Especialista reforça que o uso de antiparasitários deve considerar risco, diagnóstico e estilo de vida do animal — e não seguir protocolos automáticos
Durante décadas, a vermifugação foi tratada como um ritual quase automático na rotina de cuidados com cães e gatos. Administrar o antiparasitário “de tempos em tempos” parecia suficiente para manter a saúde intestinal em dia. Porém, nem sempre vermifugar é sinônimo de prevenir — e, em alguns casos, pode até ser desnecessário.
A discussão não é sobre abandonar o controle de parasitas, mas sobre torná-lo mais racional. A decisão hoje passa por avaliação clínica, análise de risco e, sempre que possível, diagnóstico laboratorial.
“A vermifugação continua sendo fundamental dentro da Medicina Veterinária preventiva, mas precisa ser individualizada. Não existe mais espaço para protocolos universais que desconsiderem o estilo de vida do animal”, afirma Lilian Sayuri, médica-veterinária pós-graduada em Gastroenterologia de pequenos animais.
Parasitas intestinais: presença real, impacto variável
Entre os principais vermes que acometem cães e gatos estão nematódeos, como Toxocara spp., Ancylostoma spp. e Trichuris vulpis, além de cestódeos como Dipylidium caninum. Eles podem causar diarréia, perda de peso, anemia, atraso no crescimento e alterações na absorção de nutrientes.
Filhotes representam o grupo mais vulnerável. A transmissão de alguns parasitas pode ocorrer ainda durante a gestação ou pela amamentação. Por isso, protocolos preventivos são indicados nas primeiras semanas de vida, mesmo antes da confirmação laboratorial.
Já em adultos, o cenário muda. Animais que vivem exclusivamente em ambientes internos, com controle rigoroso de higiene e sem contato com áreas contaminadas, apresentam risco significativamente menor.
“Não podemos tratar todos os pacientes como se estivessem expostos ao mesmo nível de contaminação. O risco epidemiológico é determinante na conduta”, explica Lilian.
Além do impacto sobre os pets, algumas verminoses têm importância na saúde pública. Toxocara e Ancylostoma, por exemplo, podem estar associadas a quadros de larvas migrans em humanos. Isso reforça a importância do controle adequado — mas não necessariamente indiscriminado.
O papel central do exame coproparasitológico
Se antes a vermifugação era feita majoritariamente por calendário, hoje o exame de fezes ganha protagonismo. O coproparasitológico permite identificar ovos ou formas parasitárias, direcionando o tratamento conforme o agente presente.
“Quando utilizamos o exame de fezes como ferramenta de triagem, evitamos medicar sem necessidade. Isso é especialmente importante em animais adultos saudáveis”, destaca a profissional.
A recomendação de muitos médicos-veterinários pós-graduados em Gastroenterologia é incluir exames periódicos na rotina, principalmente em pacientes com acesso à rua, que frequentam creches, praças ou convivem com múltiplos animais.
É importante lembrar que nem toda alteração gastrointestinal está relacionada a vermes. Quadros de diarréia crônica, por exemplo, podem ter origem inflamatória, alimentar, bacteriana ou até endócrina.
Vermifugar repetidamente, nestes casos, não resolve a causa e pode atrasar o diagnóstico correto.
Entre prevenção e excesso
Os antiparasitários disponíveis atualmente são considerados seguros quando utilizados na dose correta e sob orientação profissional. Ainda assim, qualquer medicamento exige critério.
Entre os possíveis efeitos adversos estão vômitos, diarréia transitória e alterações no apetite. Além disso, a exposição frequente e sem indicação pode impactar a microbiota intestinal.
Há também uma preocupação crescente com resistência parasitária. Embora o tema seja mais amplamente documentado na produção animal, o uso repetitivo e sem estratégia pode contribuir para a seleção de cepas menos sensíveis aos princípios ativos.
“A cultura do ‘é melhor dar por garantia’ precisa ser revista. O uso consciente de antiparasitários faz parte de uma prática clínica mais moderna e baseada em evidências”, pontua Lilian.
Isso não significa que a vermifugação preventiva deva ser abandonada. Em determinadas fases da vida e em contextos específicos, ela é plenamente indicada.
Filhotes seguem protocolos próprios. Animais que caçam, ingerem presas ou têm acesso frequente a ambientes potencialmente contaminados também exigem atenção especial.
Logo, a avaliação deve considerar idade, ambiente, convivência com outros pets, presença de crianças ou pessoas imunossuprimidas na residência e histórico prévio de parasitoses. A partir desses fatores, o médico-veterinário define a periodicidade mais adequada — que pode variar bastante entre um paciente e outro.
“Não é uma discussão sobre vermifugar sempre ou nunca. É sobre vermifugar quando há indicação técnica. Cada animal tem uma realidade diferente, e o protocolo precisa respeitar isso”, reforça.
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