Já percebeu que todo mundo, até quem só tem amigos próximos e familiares na rede, performa como um influencer? É selfie com legenda inspiradora, é o close do plantão (famoso quem vê close não vê corre kkkkkkk), é o “gratidão pela oportunidade” com um filtro bonito. E não é (só) vaidade, mas sobrevivência digital.
A verdade é que o algoritmo nos obriga cada vez mais a performar. Se a gente não se mostra o tempo todo e da forma “certa”, ele para de entregar. É como se precisássemos provar, diariamente, que ainda existimos, até para os nossos próprios seguidores. A gente não posta mais para ser visto. A gente posta para não desaparecer.
E o sucesso virou um refém do algoritmo. E o algoritmo é cruel. Digo isso com propriedade de quem trabalha com marketing e redes sociais todos os dias, observando de dentro esse mecanismo que decide quem aparece e quem some. Ele recompensa constância, estética e storytelling. E o pior: a gente nem percebeu quando começou a tentar agradar mais ao algoritmo do que a nós mesmos. Logo, as redes não são mais uma ferramenta de conexão com amigos antigos e familiares distantes como nos foi prometido nos anos 2000.
Hoje, o profissional não pergunta mais “como posso ser melhor?”, mas sim “por que o meu conteúdo não engaja?”. E aí está o problema: o sucesso deixou de ser uma construção de carreira e virou uma equação de relevância.
Enquanto o Instagram mostra o veterinário sorrindo com o paciente no colo, o bastidor mostra outro cenário: um profissional cansado, sobrecarregado, com boleto pra pagar, dúvida se escolheu o caminho certo e medo de parecer fracassado se desacelerar. A gente aprendeu a vender imagem antes de entender identidade. E o resultado é uma geração inteira de veterinários excelentes que se sentem insuficientes porque não performam bem no palco digital.
Ser relevante não é o mesmo que ser visto. E ser visto não é o mesmo que ser lembrado. Tem muito profissional tentando ser “influencer” quando, na verdade, deveria ser referência. Influência é momentânea. Referência é construída. Influência gera curiosidade. Referência gera confiança.
E para construir confiança precisa ter coerência, clareza e para se posicionar de forma autêntica, mesmo que isso não agrade o algoritmo.
O que você posta é só uma vitrine. Mas o que você faz, o que você entrega, o que você ensina, como você atende e se conecta é o que te diferencia em um mercado performático sem preocupação de qualidade real e que ensina isso para os graduandos desde o primeiro dia de faculdade.
No fim das contas, o algoritmo vai mudar, as tendências vão mudar, o formato vai mudar, mas isso não pode interferir no valor de quem faz o que ama com propósito e compromisso.
E talvez o segredo do sucesso veterinário hoje não esteja em entender o algoritmo do Instagram, mas em decifrar o seu próprio e como evoluir com constância; em entender como ser um excelente generalista já te diferencia em um mar de especialistas medíocres.
Aquele que dita porque você acorda todo dia e escolhe continuar nessa profissão, mesmo quando ninguém está curtindo.
Por Luís Felipe Seabra Médico veterinário, fundador da Agência de Marketing Veterinário VetDesenvolve e membro da Comissão Nacional de Jovens Médicos Veterinários e Zootecnistas do CFMV
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