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Petiscos para cães e gatos: um olhar crítico sobre implicações nutricionais e desafios regulatórios

Oferta excessiva de petiscos pode comprometer o equilíbrio nutricional, favorecer o sobrepeso e expor lacunas na regulação desses produtos

Escrito por Vet Conecta

09 FEV 2026 - 11H22 (Atualizada em 09 FEV 2026 - 11H25)

Cães e gatos deixaram há muito tempo de ocupar exclusivamente ambientes externos e passaram a integrar o núcleo familiar, compartilhando rotinas e vínculos afetivos com seus responsáveis.

Essa mudança de status repercutiu diretamente sobre a forma como esses animais são alimentados, especialmente no que se refere à oferta de petiscos ou alimentos fora da dieta principal.

Para muitos responsáveis, oferecer alimentos extras representa uma forma de carinho, recompensa ou interação, sem considerar a ingestão frequente de calorias adicionais ou a substituição parcial de alimentos nutricionalmente adequados por petiscos, o que pode comprometer a saúde e o bem-estar dos animais.

Dentre os riscos do excesso de petiscos na dieta de cães e gatos destaca-se o desenvolvimento do sobrepeso e da obesidade. Em geral, os petiscos normalmente são fornecidos como um extra à alimentação, dessa forma, suas calorias não são contabilizadas na dieta.

Estima-se que hoje, no Brasil, aproximadamente 40% dos cães e 28% dos gatos estejam com sobrepeso ou obesidade, condição associada ao maior risco de doenças metabólicas, ortopédicas e inflamatórias, além do impacto negativo sobre a qualidade e a expectativa de vida.

Outro aspecto relevante a ser considerado em relação à oferta excessiva de petiscos é o potencial de desequilíbrio nutricional. Por definição na legislação brasileira, petiscos são “produtos compostos por ingredientes/matérias-primas ou aditivos destinados exclusivamente à alimentação de animais de estimação com finalidade de agrado, prêmio ou recompensa e que não se caracterizam como alimento completo, podendo possuir propriedades específicas”.

Sendo assim, de modo geral, os petiscos não são alimentos completos, ou seja, não contém em sua composição a totalidade de nutrientes essenciais para cães e gatos e suas quantidades adequadas.

A recomendação é que calorias advindas de petiscos e outros alimentos não completos não exceda 10% das calorias totais da dieta. Dessa forma, minimiza-se o risco de deficiências ou excessos nutricionais.

No entanto, para os responsáveis pelos animais esse cálculo pode ser complexo e é preciso ter conhecimento do conteúdo calórico do alimento que o animal está consumindo e dos petiscos que serão oferecidos. Somado a isso, tem-se que muitas empresas não declaram os níveis de garantia e, principalmente, a energia metabolizável dos seus produtos, dificultando ainda mais para o responsável saber se o petisco apresenta alto conteúdo calórico ou não.

O mercado pet oferece atualmente uma ampla variedade de opções, que inclui desde produtos industrializados de baixa qualidade até petiscos elaborados com ingredientes selecionados e propostas funcionais.

Paralelamente, observa-se o crescimento expressivo da oferta de petiscos caseiros, artesanais ou rotulados como “naturais”, frequentemente associados a promessas de benefícios à saúde sem respaldo científico.

Essa categoria merece atenção especial, uma vez que muitos desses produtos são comercializados ou produzidos por pessoas sem formação em nutrição animal, aproveitando-se da expansão do mercado pet e da percepção positiva associada ao termo “natural”.

É possível encontrar ainda inúmeras receitas na internet de petiscos naturais e supostamente “saudáveis” para serem feitos em casa. Tais petiscos caseiros ou “artesanais” representam um risco ainda maior, haja vista a ausência de informações sobre sua composição e sobre a qualidade do seu processo de fabricação e ingredientes.

Frequentemente, esses produtos apresentam elevado teor calórico e perfil nutricional desbalanceado, expondo cães e gatos aos mesmos riscos associados ao excesso de petiscos industrializados, com o agravante da ausência de controle regulatório.

Nesse cenário, as diretrizes da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) assumem papel fundamental ao estabelecer, desde 2011, recomendações para a avaliação nutricional de cães e gatos.

A entidade reconhece a nutrição como o quinto parâmetro vital a ser avaliado em consultas clínicas, ao lado de pulso, temperatura, frequência respiratória e dor.

Assim, o levantamento detalhado do histórico alimentar deve fazer parte da rotina clínica do médico-veterinário, permitindo identificar excessos, práticas inadequadas e o uso indiscriminado de petiscos.

Com base nessas informações, torna-se possível orientar de forma individualizada os responsáveis quanto à escolha, à frequência e à quantidade adequada de petiscos, promovendo uma abordagem mais segura, consciente e alinhada à saúde a longo prazo dos animais.

Fonte: Cães e Gatos

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Por Vet Conecta, em Notícias

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