O mercado pet está em expansão e, com ele, cresce o interesse por animais de estimação não convencionais. Répteis e mamíferos de pequeno porte têm conquistado espaço no país e já representam 39% dos pets nos lares brasileiros, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Impulsionado por fatores como a verticalização das moradias e o novo comportamento da sociedade, o interesse por eles é maior do que por cachorros. Segundo dados divulgados em 2024, a procura cresceu 7,6% no ano anterior em relação a 2022. Quando se fala em cães, o número chega a apenas 2,8%.
Resguardados por leis de proteção à fauna, os animais não convencionais estão entre os que mais requerem acompanhamento especializado. Segundo a Abinpet, em 2024, o segmento de serviços veterinários se destacou no mercado nacional, movimentando sozinho R$7,7 bilhões, uma alta de 16% em relação ao ano anterior. Com a popularização de tais pets nos lares brasileiros, quem se preocupa com o cuidado deles vê uma oportunidade de crescimento.
“Por ser uma área em ascensão, o número de profissionais interessados também vem aumentando. Com isso, é necessário um conhecimento mais robusto em relação aos animais não convencionais. É uma realidade que não tem mais volta. Cada vez mais teremos esses pets presentes na rotina clínica, cirúrgica e em diversas outras áreas da medicina veterinária”, analisa Talita Santos, médica veterinária especializada em pets não convencionais, proprietária da VetExotica e embaixadora da PET VET Expo, a maior feira do segmento da América Latina.
Atento a esse movimento, o Congresso PET VET 2025, realizado dentro da feira, amplia sua programação para incluir conteúdos voltados exclusivamente ao cuidado com essas espécies. De 13 a 15 de agosto, no Distrito Anhembi (SP), o evento apresenta uma grade dedicada à medicina de animais não convencionais, refletindo a evolução e a diversificação do setor.
A edição terá palestras com profissionais renomados da medicina veterinária em geral, além de especialistas no cuidado de animais silvestres e não convencionais. Entre os destaques, a apresentação de Roberto Fecchio, fundador da Clínica Safari Vet e membro da Peter Emily International Veterinary Dentistry Foundation (EUA). Referência na área, ele falará sobre “Próteses de bico em aves: avanços e inovações”. Elas são usadas para devolver a funcionalidade dos bicos e a qualidade de vida dos animais graças ao avanço de novas tecnologias, como a impressão 3D.
Outros painéis que chamam a atenção são: “Pets de bolso: medicina de pequenos roedores”, com o médico-veterinário Renato Ordones; “Atendimentos emergenciais em répteis”, com o professor e médico veterinário André Nicolai; e “Desafios no manejo de abscessos em pequenos mamíferos”, com André Grespan, presidente da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (ABRAVAS) e fundador da Wildvet Clínica Veterinária.
“O maior interesse do público por animais não convencionais, que antes eram deixados de lado na hora de escolher um pet, tem criado novas oportunidades para esse mercado no Brasil. Foi pensando nisso que o Congresso PET VET 2025 apostou em um espaço de conversa focado neles. Estamos animados e acreditamos que seja apenas a estreia de uma grade que deve permanecer fixa no evento", diz Guilherme Martinez, diretor do portfólio pet da NürnbergMesse Brasil, organizadora do encontro.
Congresso PET VET 2025
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