Clínicas veterinárias que adotam horários ou espaços exclusivos para gatos proporcionam melhores condições de atendimento e contribuem diretamente para o bem-estar felino. É o que aponta um estudo conduzido na região metropolitana de Lisboa, em Portugal, que comparou estabelecimentos com e sem esse tipo de separação.
Os resultados indicam que o atendimento dedicado está associado a melhorias no manejo clínico, redução de intervenções invasivas e maior satisfação dos tutores. O resultado reforça a tendência de práticas alinhadas ao conceito cat-friendly na medicina veterinária de pequenos animais.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada por meio de questionários aplicados em oito clínicas veterinárias, reunindo a participação de 204 tutores de gatos.
Os entrevistados responderam a mais de 30 perguntas sobre experiência no atendimento, nível de estresse percebido nos animais, qualidade das informações recebidas e avaliação geral do serviço.
Para análise comparativa, os participantes foram divididos em dois grupos: 96 tutores atendidos em clínicas com estrutura ou horários exclusivos para felinos e 108 em locais sem essa diferenciação. O estudo foi apresentado pelo portal Veterinária Atual.
Grupos têm diferenças de contenção e sedação
Os dados mostram que ambientes sem separação tendem a demandar mais intervenções durante o atendimento. Nesses casos, os tutores relataram maior dificuldade para retirar os gatos das caixas de transporte e para administrar medicamentos em casa.
A contenção pelo pescoço, por exemplo, foi registrada em 18,4% dos atendimentos sem separação, contra 7,4% nas clínicas com atendimento dedicado.
O mesmo padrão foi observado em relação à sedação: 10,3% nos ambientes compartilhados, frente a 2,5% nos espaços voltados exclusivamente para felinos.
A presença de outras espécies no local foi apontada como um dos principais fatores de aumento do estresse.
Experiência e satisfação do tutor também têm impacto
Nas clínicas sem separação, os tutores relataram ter recebido menos informação sobre doenças virais felinas, prevenção de pulgas e desparasitação.
A satisfação com a equipe e com os médicos-veterinários também foi superior no grupo atendido em ambientes com horários ou áreas exclusivas para gatos.
Segundo os autores do estudo, as clínicas com espaços ou horários dedicados a felinos apresentaram desempenho melhor em todos os domínios avaliados.
Os pesquisadores associam os resultados aos princípios de atendimento cat-friendly, indicando que investimentos em separação de espécies, capacitação de equipes e educação de tutores podem gerar ganhos concretos em bem-estar animal, relação com clientes e qualidade percebida do serviço – fatores diretamente ligados à retenção de pacientes e à reputação da clínica no mercado.
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