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Pet precisa comer mais no frio? Veterinária explica o que é mito e o que é verdade

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Escrito por Vet Conecta

27 JUL 2026 - 11H00

São Paulo, julho de 2026. No inverno, uma dúvida frequente entre os responsáveis por cães e gatos é se o frio exige mudanças na alimentação dos pets. Apesar da crença de que os animais precisam comer mais nessa época do ano, a necessidade de ajustes na dieta varia de acordo com as características e o estilo de vida de cada animal.

A manutenção da temperatura corporal faz parte do metabolismo dos cães e gatos. No entanto, segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de Guabi Natural (MBRF Pet), isso não significa que todos os animais precisem consumir mais alimento durante os meses mais frios.

"Essa é uma das dúvidas mais frequentes nesta época do ano. Muitos responsáveis acreditam que o frio, por si só, exige um aumento na quantidade de alimento, mas isso depende do estilo de vida do animal. Oferecer mais alimento sem necessidade pode contribuir para o ganho de peso", explica.

De acordo com instituições referência em nutrição de cães e gatos no mundo, como a Associação Mundial de Medicina Veterinária de Pequenos Animais (WSAVA) e a Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Companhia (FEDIAF), por exemplo, as necessidades energéticas dos pets variam conforme fatores como idade, condição corporal, porte, estado fisiológico, nível de atividade física e ambiente em que vivem. Isso significa que não existe uma recomendação única para todos os animais durante o inverno.

"O que acontece é que, em muitos casos, durante o inverno, alguns pets passeiam menos, brincam menos e ficam mais tempo descansando. Se a quantidade de alimento aumenta enquanto o gasto energético diminui, o resultado pode ser o excesso de peso, que está associado a diversas doenças e pode comprometer a qualidade de vida do animal", afirma Mayara.

Além das temperaturas mais baixas, o inverno costuma trazer outro fator que interfere na rotina dos pets: o aumento dos dias chuvosos. Com isso, muitos responsáveis reduzem a frequência e a duração dos passeios, especialmente com os cães. Quando essa mudança acontece, a profissional explica que é importante compensar a diminuição da atividade física com outras formas de estímulo, como o enriquecimento ambiental, por exemplo, com brincadeiras, desafios alimentares, brinquedos interativos e atividades que estimulem comportamentos naturais dentro de casa. Tudo isso ajuda no estímulo da prática de atividade física.

Ainda segundo a WSAVA, manter a condição corporal adequada é um dos pilares para a prevenção de doenças crônicas e para o aumento da expectativa e da qualidade de vida dos pets. Por isso, a veterinária recomenda que qualquer ajuste na alimentação seja baseado nas necessidades individuais de cada animal e não apenas no inverno e sim ao longo do ano.

Qualidade da alimentação deve ser prioridade

Mayara lembra que mais importante do que aumentar a quantidade de alimento é garantir que cães e gatos recebam uma nutrição completa, equilibrada e adequada ao seu perfil.

"Uma alimentação de alta qualidade fornece proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais para que o organismo desempenhe suas funções normalmente em qualquer época do ano. Quando o alimento é nutricionalmente equilibrado e elaborado com ingredientes de qualidade, o pet recebe suporte para manter sua saúde, imunidade e condição corporal de forma adequada", destaca Mayara.

Outro ponto que merece atenção é a hidratação. Embora seja comum que cães e gatos bebam menos água durante o inverno, a ingestão hídrica continua sendo fundamental para o funcionamento do organismo e para a saúde urinária, especialmente dos felinos.

Quando é hora de procurar orientação?

Mayara orienta que alterações persistentes no apetite, perda ou ganho de peso sem causa aparente, apatia ou mudanças no comportamento devem ser avaliadas por um médico-veterinário. Segundo ela, a avaliação individual é a forma mais segura de identificar se existe necessidade de ajustar a alimentação ou investigar possíveis problemas de saúde. E a principal recomendação é evitar decisões baseadas em mitos.

"O inverno, sozinho, não determina quanto um pet deve comer. O que realmente faz diferença é observar o animal como um indivíduo, considerando sua rotina, condição corporal e estado de saúde. A alimentação deve acompanhar essas necessidades, e não apenas a mudança de estação".

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