O aumento das promoções e do volume de compras acende um alerta para a circulação de medicamentos veterinários piratas ou de procedência duvidosa.
A preocupação aumenta quando se observa o tamanho do mercado. O setor de saúde animal movimenta quase R$ 12 bilhões por ano no Brasil, segundo dados do Sindan. Para a entidade, cerca de 10% e 15% dos medicamentos veterinários consumidos no país podem ser irregulares, incluindo produtos falsificados, contrabandeados ou sem registro.
A entidade recomenda atenção redobrada durante períodos de maior movimentação no comércio físico e digital. Uma das iniciativas da entidade para enfrentar o problema é a campanha Olhos Abertos, criada para orientar médicos veterinários, produtores rurais, revendas agropecuárias e responsáveis de animais sobre os riscos associados ao uso de medicamentos irregulares.
Médicos veterinários nem sempre reconhecem falsificados
“Medicamentos veterinários piratas não passam pelos processos de avaliação exigidos pelos órgãos reguladores. Isso significa que não há garantia de qualidade, segurança ou eficácia”, relata o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Salani. “Em muitos casos, esses produtos podem conter substâncias tóxicas ou princípios ativos em dosagens inadequadas”, acrescenta.
Um levantamento recente do Radar Vet, desenvolvido pelo Sindan, ajuda a dimensionar o problema. Segundo a pesquisa, 64% dos médicos veterinários afirmam que identificar produtos piratas em relação aos originais é quase impossível.
E-commerce pode agravar a situação
A expansão das vendas pela internet também ampliou o desafio. Com o avanço de plataformas de e-commerce e marketplaces, cresceram os canais de comercialização de produtos veterinários ilegais, o que dificulta a fiscalização e aumenta a exposição de consumidores e produtores. “Hoje a internet é apontada como o principal canal de circulação de medicamentos veterinários falsificados no Brasil”, explica Salani.
Campanha mobiliza cadeia da saúde animal
A campanha Olhos Abertos busca mobilizar todos os elos da cadeia da saúde animal. “A orientação é simples: comprar medicamentos apenas em revendas autorizadas ou em seus canais digitais oficiais, verificar sempre informações como registro, número de lote e validade, se o rótulo está em português e desconfiar de preços muito abaixo do mercado”, detalha.
Como forma de combater ativamente a pirataria, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) disponibiliza, por meio do site Fala.br, um canal oficial para denúncias em casos de suspeita de irregularidades e problemas relacionados a produtos veterinários. As informações ajudam a orientar ações de fiscalização.
Conteúdo escrito por - Flávia Lelis (repostado pela equipe do VET Conecta)
Flávia Lelis - Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), tem mais de 20 anos de experiência, destacados na liderança de equipes multidisciplinares, edição de revistas e portais, desenvolvimento de projetos especiais e gestão de redes sociais. Hoje atua como editora do portal Panorama Pet&Vet.
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