São Paulo, 17 de março de 2026 - A saúde bucal dos pets está longe de ser um tema estético. Dados do corpo clínico da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, indicam que cerca de 90% dos cães e gatos acima de três anos apresentam algum grau de doença bucal, condição que pode evoluir para complicações sistêmicas graves quando não tratada.
O problema vai além do mau hálito. A inflamação crônica provocada pelo acúmulo de placa bacteriana permite que microrganismos entrem na corrente sanguínea e atinjam órgãos vitais.
“A boca é uma das principais portas de entrada de bactérias no organismo. Quando a doença periodontal está instalada, o risco não é apenas local. Essas bactérias podem comprometer coração, fígado e rins, além de causar dor constante e impactar diretamente a qualidade de vida do pet”, afirma a médica-veterinária, Head de Odontologia da WeVets, Nicole Casara.
A progressão costuma ser silenciosa. O pet, no geral, não apresenta sinais óbvios como falta de apetite e o responsável não percebe sinais iniciais da doença. A halitose é um dos principais indicativos de algo errado na cavidade oral. Casos graves evoluem para perdas dentárias espontâneas, um sinal clássico do estágio final da doença.
Em 2025, a WeVets registrou um total de 3.601 atendimentos, mantendo uma média constante de 300 atendimentos por mês. Desse volume, 66% corresponderam a consultas iniciais, 59% a retornos para acompanhamento e 29% a procedimentos cirúrgicos, evidenciando a robustez da infraestrutura hospitalar para casos que exigem intervenção avançada.
Segundo a companhia, o protocolo odontológico inclui avaliação anual com odontologista e, quando indicado, exames pré-operatórios como hemograma, avaliação de função renal e hepática, além de exames cardiológicos. O modelo integra odontologia, anestesia, cardiologia e clínica médica na mesma jornada assistencial.
Em cães, a doença periodontal é a ocorrência mais frequente, especialmente em raças de pequeno porte e braquicefálicas, devido à aglomeração dentária e alterações de oclusão. Em gatos, além da doença periodontal, são comuns as lesões de reabsorção dentária felina, condição dolorosa e de difícil percepção pelos tutores.
Especialistas alertam que o acompanhamento odontológico deveria integrar a rotina preventiva, assim como a vacinação e consultas clínicas periódicas. Ainda assim, o cuidado bucal segue entre os mais negligenciados na saúde veterinária.
Com o envelhecimento dos pets e o avanço da medicina veterinária, a odontologia deixou de ser um procedimento pontual e passou a integrar a lógica de cuidado sistêmico.
“Quanto mais cedo o acompanhamento é iniciado, maior a chance de evitar procedimentos complexos e reduzir riscos sistêmicos. A prevenção é determinante tanto para qualidade de vida quanto para desfechos clínicos mais seguros”, afirma Nicole.
A WeVets também estruturou um protocolo de atendimento odontológico concentrado em um único dia, no qual o pet realiza exames pré-anestésicos e o procedimento cirúrgico no mesmo período, com monitoramento hospitalar até a alta. Segundo a companhia, o modelo busca reduzir atrasos no tratamento e evitar múltiplos retornos, especialmente em casos de doença periodontal já instalada.
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